Quarta-feira, 23 de Junho de 2010

O mestre Slash fez tremer, apenas com os dedos, todo o Coliseu do Porto...

Em três momentos, o público se exaltou, mas num só momento se viu o quanto o público adora o melódico e nostálgico riff de Sweet Child of Mine. No primeiro momento, ao som de Civil War, o dragão acordou e entoou a letra em vez do cantante dos Alter Bridge, escolhido pelo guitarrista para dar nesta tour a voz às músicas. Magicamente, num concerto de aspecto simples bem ao jeito do verdadeiro amante do Rock, o maestro conduziu as hostes dentro e fora do palco, sempre concentrado em dar ao público uma razão para chorar por mais.

Quando começou o seu solo, encostado ao canto esquerdo do palco, Slash deu mesmo o lugar central à música, motivo principal da junção de várias gerações no Coliseu. Ora de forma rápida, ora docemente, o músico levou ao rubro cada um dos espectadores, que dançando ou cantando o acompanharam na interpretação do hino do filme Godfather. Enquanto o fazia, e só ao som dos seus dedos acariciando as cordas, todo o chão do Coliseu tremia debaixo de nós! Uma experiência magnífica e demonstrativa de como o UM pode, por vezes, ser maior que qualquer NÓS...

Magistralmente, aproveitou o êxtase geral para transitar sem pausa para o tema mais aguardado da noite. Assim que a guitarra soou o rítmico riff, tão esperado por todos, foi o clímax, o orgasmo musical que se aguardava expectantemente. Do princípio ao fim da música, e pela segunda vez, o público demonstrou que os Guns estão ainda no coração, e não deixou brilhar o cantor. Ao som do venerado instrumento, o coro trauteou cada linha da música como se duma declamação pessoal se trata-se, e o solista respondeu dando eximiamente o acompanhamento. A beleza do momento é indescritível, pois como disse um dos gémeos coimbrenses, Tó Zé ou Zé Tó (uma bela surpresa...), estes artistas parecem surreais, até os termos em frente a nós dedilhando para os nossos sentidos as músicas que adoramos!

A noite terminou ao som da Paradise City, mais uma do tempo das Rosas, que teve o crédito de dar o ponto final perfeito a uma noite extraordinária. Todos sabiam que era a última, ninguém queria que acabasse, e os artistas souberam melhor que qualquer um expressar esse sentimento. Cada riff foi estendido, cada solo alongado, cada linha levada até ao ponto exausto da satisfação. Saiu-se a chorar pelo fim, mas de barriga cheia de boa música, interpretada por um artista que, embora sendo apenas de meia idade, ocupa já um degrau nos anais da história da música. Ao Slash, obrigado por toda a arte que já deixou na vida de muitos, e obrigado pelo exemplo musical que proporcionou aos jovens da geração do RA.


Post Scriptum: Aqui fica o link, já que o host do blog não me deixa postar o vídeo...

Segunda-feira, 21 de Junho de 2010

Esta foi uma semana cansativa. Aproveitamos este início de Verão para começar a pôr o RA a dormir solo na sua cama, toda a noite. Imaginam o que isso é? Eu conto. Noites adormecidas tarde, noites acordadas a meio, noites encurtadas no fim. Um sacrifício para quem tem de levantar-se pelas 6.30 horas para que tudo esteja feito e a caminho à hora certa. Um atraso de 5 minutos resulta em trânsito por muitos mais!

Mas enfim, voltemos à narração. Nos primeiros dias foi o deitar. Como não estava habituado a dormir sem um calor feminino bem junto a ele (até na sesta da Creche, a vigilante se deita perto dele...), não conseguia pregar olho. E como se via sozinho num quarto sem luz, há que chorar até aparecer alguém. Na primeira noite, a mãe cedeu várias vezes, mas lá conseguiu adormecê-lo. O relógio já contava as primeiras horas do dia seguinte. Na segunda noite, depois de conversarmos, concordamos que não podíamos ceder ao choro sem lágrimas, pelo que ele se dedicou não só a este, mas ao despejo de TODOS os objectos da sua cama, assim como de poisos circundantes. Sempre com a sirene ligada, mas sem uma gotinha salgada para amostra, ele uma e outra vez deitou ao chão os diversos objectos ao alcance da sua unha, chegando mesmo a partir um cruzeiro que a mão tinha trazido de recordação, aquando da nossa peregrinação a Santiago.

Nas noites seguintes, como iniciou a praia, e portanto estava mais cansado, foi mais fácil fazê-lo adormecer. Mas a meio da noite, já retemperado das forças, acordava e de novo ligava a sirene. Acordava, chorava, levantava, deitava, chorava, levantava, deitava, chorava, levantava, deitava, ... Bastante desgastante para quem não tem direito a fechar o olho a meio do dia! Mas a situação foi melhorando e ele lá acabou por aceitar. Esteve pertinho, pertinho de não dormir a sesta, para o obrigar a dormir à noite, mas não foi preciso extremizar tanto. No fim da semana já era deitado sem discussão, pedindo apenas um pouco de companhia silenciosa até os olhos pesarem mais que a sua vontade. Ontem, depois de um dia em cheio, foi mesmo só deitá-lo na caminha, e vê-lo cerrar quase instantaneamente os olhos, numa paz que só um doce descanso podia dar.
E falando no dia de ontem, aqui fica o relato. A avó do RA, mesmo antes da missa, resolveu presentear o menino com aquela que será sem dúvida o seu brinquedo favorito nos próximos tempos: uma guitarra. Ele gostou tanto daquilo que já arranha o nome da coisa sempre que a quer pedir, ao contrário da maioria das coisas, que ele se recusa a nomear. Estando a começar o Verão, e não havendo calor sem um bom banho de piscina, eu e a mãe compramos um colete salva-vidas para o RA. Daqueles mesmo à maneira, laranjinha como ele para ser visível ao longe, e adequado para durar um mínimo de 3 anos. É que embora não tenha sido caro, é sempre um objecto que quase não será utilizado ao longo do ano. Depois do almoço (um belo polvo assado, com castanhas, batatas e couve e arroz de polvo a acompanhar), eu estava empanturrado, mas as horas continuavam a passar. Eu queria meter o miúdo na piscina, ver como reagia e testar se o tal colete resultava. Como já tinha passado o tempo standard de digestão, resolvi-me a entrar com o rapaz na água, para o descansar nesta primeira experiência (mais uma...).

Vestindo os calções e pondo a barriga ao léu, vestimos-lhe o tal colete e sentámo-lo junto à piscina, para irmos devagar. Ele aceitou bem os pés molhados, e eu passei à fase 2. Entrando na água, de mergulho para custar menos, cheguei-me a ele e, com cuidado, peguei nele e fui mergulhando o seu corpinho na água. Começando logo a espernear, e com um queixume nos lábios, o menino exprimiu o seu receio. Descansando-o com um abraço, mas sempre mergulhando mais, lá o meti na água até que esta lhe chegou ao peito. Ele não se acostumou à ideia de estar sem chão rodeado pelo líquido que lhe tira o fôlego, e não deixou de o demonstrar. Contudo, não chorou desalmadamente nem entrou em pânico, apenas mostrava um medo constante, agarrando-me sempre bem num abraço apertado e procurando o meu corpo para apoiar os pés. Fui e vim em várias voltas à piscina, mostrando-lhe que estava seguro. Segurei-o pelas mãos e dei-lhe um pouco mais de liberdade de movimentos, o que ele naquela situação não apreciou. Por fim, sentindo que não parava de tremer como varas verdes de medo e frio, resolvi tirá-lo da água, dando por findo o primeiro banho de piscina.
À noite, ainda inchado do almoço (os frutos secos deixam-me sempre com sensação de enfartamento, chiça!), ainda deu para ver o Brasil garantir a passagem no Campeonato do Mundo, facilitando a vida a Portugal, e dar duas de letra com o Gonçalo, a Joana e o Abtúrsio. Já em casa, não foi então difícil deitar o moço já grogue de sono, e assistir com a mãe ao 'Rock and Rolla', que embora de grande qualidade, me pareceu mais um filme de Guy Ritchie. É a chatice de assistir muito a bom cinema; as expectativas, como "o valor da propriedade em Londres, só têm um sentido: é para cima".

Terça-feira, 1 de Junho de 2010

Ontem à noite o RA teve um pormenor inesperado, mas daqueles que provoca a qualquer pai um sentimento de orgulho pelo desenvolvimento silencioso, mas sólido, do seu rebento.

Eram já muitas da noite e o rapaz teimava em não pregar olho. No colo da mãe, visivelmente confortável, deixava as horas passar, ouvindo o pai, a mãe e o padrinho falar sobre tudo e nada, num serão agradável mas quente de fim de Primavera. A certa altura, a mãe perguntou ao RA se ele não tinha vontade de ir dormir. Como se uma campainha soasse em si, fez menção de descer da poltrona e, com o pezito descalço no chão, encaminhou-se para o quarto, esperando que o seguissem para o auxiliar na escalada da cama. Dando conta que entrou só no quarto, voltou atrás e olhou a mãe, como perguntando docemente "Então, não vens?", e de novo se encaminhou ao quarto, onde mais uma vez entrou só. Um compasso de espera mostrou que ele aguardava ter sido percebido, até que mais uma vez apareceu na sala, mas já não tão docemente expressou a sua vontade, vocalizando uma qualquer incongruência que, para si, se traduziria mais ou menos por "Perguntas e não vens? Estou à espera. Anda!", e de novo regressou ao quarto.

Aí, a mãe já se levantou e dirigiu-se ao nosso ninho, onde o deitou e ele adormeceu rapidamente. Mas a atitude dele ficou-me gravada. Nunca o tinha visto agir tão metodicamente, ser tão racional na sua acção. Adorei a experiência! Quero mais!
Dia Mundial da Criança. Dia de alegria e festa para milhares de meninos e meninas em todo o mundo ocidental. No mundo oriental e nos países africanos controlados por ditadores não têm tanta sorte. Tenho a esperança que um dia o sorte seja melhor para estes pobres miúdos que vêem a sua vida estragada por estúpidos egocêntricos que não enxergam para além das suas opiniões... Mas hoje também é Dia Mundial do Rodrigo, o primito do RA! E isso é um motivo de festa particular.

O Rodri nasceu há três anos, e é desde então um orgulho da família. É amigo, interessado, vivaço e senhor do seu espaço. Não se revela muito invejoso para com o primo. Sempre que estão juntos, preocupa-se em mostrar-lhe os brinquedos, partilhar brincadeiras e assegurar que o RA não se mete em confusões. Mostra grande interesse por livros e jogos de associação, é divertido e bastante autónomo. Adora a mãe e interessa-se muito pelo que o pai faz em volta dos carros, pelo que sempre que pode ciranda rodeando cada carcaça que o pai tenta por vezes fazer regressar dos mortos! Auspicio-lhe um bom futuro, pois parece ter capacidades e interesse suficiente para se desenvolver.

A ele, e a todas as crianças do mundo, um enorme beijo e um abraço apertado deste Pai Babado de um ruivo traquina, primo de um loiro sortudo, que de todas as vezes que fizer anos, pode pensar que no seu dia todas as crianças estarão felizes consigo... Um beijão, Rodri!

Segunda-feira, 31 de Maio de 2010

Mais um fim de semana solarengo na terra da crise... Começou bem o Sábado, com um sono largo até ao meio dia. Bem, pelo menos a mãe fez esse sono, porque eu tinha trabalho para acabar para o dia seguinte, para a festa de final de ano do RA. Como a mãe andava com umas dores de cabeça estranhas, deixei-a descansar e aproveitei o sossego para trabalhar em paz. Sem miúdo em casa e com a mulher a dormir, a casa até se torna bastante pacífica e relaxante!

Aproximando-se a hora de almoço, e como o almoço com os sogros já estava combinado, acordei a mãe e lá nos preparamos para sair. Passámos na minha mãe, onde o rapaz tinha ficado a dormir, por causa da cantoria em que eu, a mãe e a madrinha do RA participámos na noite de Sexta, e lá fomos para casa dos avós, que aguardavam ansiosos por mais uns momentos com o seu neto favorito. E a seguir ao repasto, o tradicional aproveitamento da tarde de sol junto da costa portuguesa, com um gelado, um café, um chá frio ou, no nosso caso, umas cervejas e um pratinho de moelas... Que delícia!

À noite aguardava-nos mais uma noite bem passada, à volta de uma cartada de King, jogo que já deixava saudades. À volta da mesa do Mário, a sua Patrícia, o padrinho, o Organics e eu esgrimíamos argumentos naipais até à resolução final. Ganhou o Organics, fiquei em segundo. Os outros, vergonha para eles!

Domingo, dia de festa! Dia de trabalho, também... MUITO TRABALHO! Coordenar dezenas de crianças num espectáculo corrido, constante e coerente é uma obra para que muitos não estão habilitados, e que exige esforço mental e físico consideráveis. Mas o resultado final é espantoso, e quando as coisas são bem pensadas, treinadas e executadas, nasce arte! E foi o que aconteceu! Deixo-vos o cenário que se construiu para uma história da Branca de Neve, num pós-conto infantil, que tentou narrar um dia-a-dia da Branca, com o seu príncipe e os anões. Os miúdos divertiram-se, entretiveram os seus familiares, e foi mais um sucesso das nossas produções. A todos agradeço esforços, e para o ano teremos mais. O RA portou-se bem, dentro do possível para um "início de carreira", não chorando e terminando o seu acto com um ar de sua graça! Parabéns a ele e a todos, porque foi adorável!

À noite, tempo de festa oficial com a minha madrinha, à beira-mar e a ver o clima mudar em minutos de ensolarado para enublado. As alterações climáticas são uma realidade quotidiana, e dão sem dúvida graça a este mundo dinâmico. Sem elas, as coisas seriam bem mais estáticas e menos saborosas... Uma bela carne grelhada, dois camarões com um palmo e uns filetinhos de pescada! Mesmo à farta, na terra da crise. Olhar para a desgraça, cuspir-lhe na cara, sorrir e seguir no sentido contrário. Enquanto há vida, há esperança; enquanto há forças, há vida! Por isso, bola p'rá frente, que o mundo ainda não acabou! Deus me livre de desistir, e a todos os que me rodeiam também.

Saúde para todos, que isto há-de passar. Só temos de ter fé, criar esperança, fazer caridade e o Bem acontecerá!

Domingo, 30 de Maio de 2010

Eternizar a minha juventude
Rouba-me aos poucos a saúde...

Quarta-feira, 26 de Maio de 2010

Querido Diário, (LOL)...

Ora bem, hoje a minha madrinha faz anos! Um grande dia para a humanidade (pelo menos para a minha...) o dia em que ela nasceu. A ela devo muito do que tenho e sou. É de sugestão dela aquilo que berram quando me queriam perto, ou fazia asneiras, em pequeno. E aquilo que a minha esposa sopra ao meu ouvido com carinho... ao acordar-me de manhã (ou seria, no mundo ideal). Também a ela devo um sentido de mundo grande e viagens, que ela fazia com frequência quando eu era mais pequeno. Em certos momentos ainda, pergunto-me em silêncio o que faria ela em dada situação, ou como resolveria ela um problema. Finalmente, devo-lhe a minha vida actual, o meu casamento e a paternidade, todo o rol de emoções positivas que desde o Verão de 2007 vivi. Sei que sem a sua presença na minha vida, nada disto seria como é. É uma madrinha exemplar, uma verdadeira 2ª Mãe, um modelo de como todos os que são escolhidos para este papel deviam comportar-se. Dando uns tabefes e uns cachaços quando é preciso, metendo-se na nossa vida quando somos jovens, para evitar desvios, chegar onde os pais não têm acesso, por causa do contacto contínuo, notando pequenos desvios e alterações emocionais indesejáveis. O meu avô chama-lhe "irmã mais velha", mesmo ela sendo sua filha. Dela só fala com carinho, admiração e muito orgulho. Só desejo chegar à idade dele, e olhando para o RA sentir a mesma ternura. Só quero viver a minha vida com a mesma coragem que ela demonstra. Conhecê-la é uma honra, ser seu afilhado um privilégio. Daqui lhe envio um enorme beijo de Parabéns, cheio de amor, desejando ter ainda muitos anos para com ela privar e aprender.

Num assunto completamente fora de curso, deixo aqui uma foto de um pêlo de bigode MEU.