Sexta-feira, 30 de Abril de 2010

Acabou o meu mês de penitência. A abstinência a que a minha médica de família (sim, nós temos uma...) me sujeitou terminou ontem, às 22horas. Com umas fêveras insossas e um óptimo arroz de passas e ervilhas, que a minha querida esposa me preparou, encerrei a indigesta dieta sem entradas, comidas fritas, estufadas ou assadas, sobremesas doces, e sem refeições intermédias que envolvessem os meus tão queridos bolos. Ah, e sem poder regar tudo isto com qualquer espécie de bebida alcoólica ou refrigerante! Levei à risca a recomendação da médica, fiz tudo por cumprir a preceito e vi todos comerem de tudo enquanto eu me contentava com aquilo que o meu suposto abuso me impôs.

Serviu este tempo, contudo, para aprender algumas coisinhas sobre mim próprio, e o meu corpo. Em termos de vícios, não tenho adicção ao açúcar, pois conseguia passar bem sem pensar em bolos e refrigerantes; não sou alcoólico, pois só uma vez senti real vontade de beber um copo de "receita do Sr. Melo", mas acho que isso se deve mais à vaidade que à vontade... E descobri que aquilo que eu realmente sinto falta é do sabor de uma bela refeição, bem preparada e cheirosa. Umas batatas fritas ou assadas, um molho saboroso, algo que só de sentir o aroma, faz escavar no meu estômago um buraco sem fundo, mesmo estando já satisfeito. Olfactizar um manjar divino durante tempo de jejum é, sem dúvida, o que mais me custa! Mas resisti majestosamente, e espero que as análises que hoje fui fazer reflictam este esforço titânico, pois não sei se aguento perdurar neste sacrifício muito mais tempo!

Ajudou-me muito pensar no meu filho, e nas condições em que pretendo acompanhá-lo. Quero ser um pai presente, mesmo nos momentos radicais, quero viver com ele as experiências, para depois de passar a estupidez da adolescência, recordarmos o que já vivemos, e estarmos ambos em plena condição de programar mais aventuras. Não quero ser o melhor amigo do meu filho; isso não é saudável. Mas quero que ele tenha vontade de convidar-me para isto ou aquilo, e sinta que eu tenho corpo e estofo para aguentar. E ele parece talhado para estas actividades mais exotéricas, a julgar pelas encrencas em que se mete...

0 comentários: