Segunda-feira, 26 de Abril de 2010

Este foi o fim de semana da testosterona. A mãe foi a um retiro religioso e o moço ficou só comigo. E eu dei-lhe um fim de semana cheiinho! Começou Sábado de manhã, porque cedinho é que se começa o dia. Saímos depois de ele tomar o seu banhinho e comer a sua papinha matinal, e lá fomos a pé até à Baixa. Os portugueses não parecem madrugadores ao fim de semana, foi o que concluí ao ver as ruas tão vazias de pernas a moverem-se para cima e para baixo. Íamos vendo uma Tuna tocar, mas eles nunca mais se despachavam com as afinações, pelo que desandámos para novas paragens.

Passo a passo, numa pressa imposta pelo RA, que sedento de novidade não parava em sítio nenhum, lá fomos andando e conhecendo, habituando-lhe os pés aos sucalcos e buracos que o caminho tem. A dada altura, numa loja de calçado, o rapaz identifica umas pantufas parecidas às que em casa ele costuma mascar. Vai de correr para elas, e só parou quando espetou com a testa no vidro. Até fez barulho! Ele, atarantado, olhava desorientado para a montra, sem perceber o que raio lhe teria acontecido. Os meus parabéns à senhora da limpeza...

Quando isto se deu, achei melhor zarpar para casa, até porque se aproximava a hora de almoço do RA, e com tanta caminhada tinha a certeza que a fome dele não tardava a ligar sirenes. Comeu a sopa quase até ao fim, metade dela já de olho fechado, mas ainda a mastigar. Com medo que se engasgasse, e porque ele já resistia a mais colheradas, limpei-o e deitei-o para a sesta. Suspirei de alívio e descansei também um pouco com uns vídeos do YouTube.

A tarde foi passando, e quando ele acordou era já hora do lanche. Mandei-lhe 2 iogurtes pela goela adentro, misturados com um kiwi macerado. Só que o fruto, embora mole, ainda sabia um pouco ácido, pelo que tive de juntar um niquinho de açúcar, e ele lá acabou por comer. Saímos de novo, que a tarde ainda raiava sol e calor, e fomos até ao parque junto ao nosso lar. Aquilo é um pouco mal frequentado, mas achei que durante o dia não haveria grandes chatices. Até porque há por ali muitas velhotas com carteiras, que prontamente balançam se alguma coisa de errado acontecer. Assim, seguro que nada se passaria, lá fomos. Lá chegados, vi que não havia muitas estruturas para a idade dele. Castelos de corda e aço inox, campos de futebol com as redes das balizas feitas mais de buracos do que de cordas, bancos de mau aspecto, relvado irregular e uns escorregas metálicos. Optei por estes, porque era a única coisa que se aproveitava para o RA usufruir do passeio. Da primeira vez teve um pouco de receio, e não se queria largar. Mas eu lá o convenci, e ele apreciou. Depois foi o normal funcionalmento infantil face a um escorrega: desce-dá a volta-desce-dá a volta, ...
Voltámos a casa, pois a brisa fresca de fim de tarde começava já a içar-me os pêlos da nuca. A minha irmã veio, fez o jantarinho para nós, comemos e ela foi embora... E lá fiquei sozinho de novo, mas não por muito tempo. A páginas tantas aparece o padrinho do RA, para fazer-me um pouco de companhia. Apreciei o gesto, e a conversa que embalou o serão. Ele foi abraçar a noite, eu fui abraçar o RA. Dormimos cedo, mas não tanto descansados. A meio da noite, deu-lhe o choro compulsivo, por pesadelo com certeza, e o meu sono interrompido premiou-me de manhã com uma grande dor de cabeça.

Mas tínhamos de levantar, que a catequese tem horas e os jovens não gostam de esperar. Dei-lhe o pequeno-almoço e fomos para a igreja. Depois de lavar-lhes o cérebro com mensagens de Paz e Amor, e após assistir à missa (onde o RA adormeceu profundamente a meio), deixei os meus jovens e fui comprar o almoço, que partilhei com o padrinho. Uma tarde bem passada era o que nos esperava... Depois do almoço, a tradicional sesta do miúdo, e nós a ver o Across the Universe, um filme inteiramente feito com base em músicas dos Beatles. Boa música, história porreira e fotografia atractiva! Uma óptima obra que passou ao lado do sucesso. É pena... Quando o RA acordou, fomos até ao Parque Biológico. Eu, o RA e o padrinho. Com as voltas e reviravoltas que demos para lá chegar, chegámos quase a uma hora do fecho, com um sol de fim de tarde e uma temperatura agradável. O ponto alto foi a abetarda de barriga branca que, por trás de um vidro de protecção, seguia o RA, e tentava bicar a sua mão pousada sobre o vidro. Ele achou piada e corria de um lado para o outro sempre com a abetarda no seu encalço. Foi giro... Um espectacular ponto final num fim de semana com o meu filho!
Senti sinceramente uma importância orgânica na partilha de tempo com ele, a sós. Parece que sem a mãe por perto, se desenvolveu um fortalecimento palpável no nosso amor, que se reflectiu em gestos, carícias e procura do meu calor e abraço por parte dele. Foi um tempo mágico, verdadeiramente memorável! A experiência mostrou que são necessários momentos destes, só a dois, em que os outros não comprometam, mas apenas complementem. A Família dos 3 continua, é certo, mas senti mesmo que se criaram novas e diferentes ligações entre mim e o meu filho. Este fim de semana amadureci mais um pouquinho. Este fim de semana tornei-me um pouquinho mais Pai.

1 comentários:

Rui disse...

A dada altura, numa loja de calçado, o rapaz identifica umas pantufas parecidas às que em casa ele costuma mascar. Vai de correr para elas, e só parou quando espetou com a testa no vidro.(...) Os meus parabéns à senhora da limpeza...
Lol!!

É verdade, para crescermos com os petizes e estreitar as nossas ligacoes e confianca faz muita falta passar aquele tempo sozinhos, privados. Este último fim de semana dei tao bem conta disso quando passei o fds em Salzburgo, com a Hanna...
Muito bom post!
Abraco proceis, e até breve :)