Passo a passo, numa pressa imposta pelo RA, que sedento de novidade não parava em sítio nenhum, lá fomos andando e conhecendo, habituando-lhe os pés aos sucalcos e buracos que o caminho tem. A dada altura, numa loja de calçado, o rapaz identifica umas pantufas parecidas às que em casa ele costuma mascar. Vai de correr para elas, e só parou quando espetou com a testa no vidro. Até fez barulho! Ele, atarantado, olhava desorientado para a montra, sem perceber o que raio lhe teria acontecido. Os meus parabéns à senhora da limpeza...
Quando isto se deu, achei melhor zarpar para casa, até porque se aproximava a hora de almoço do RA, e com tanta caminhada tinha a certeza que a fome dele não tardava a ligar sirenes. Comeu a sopa quase até ao fim, metade dela já de olho fechado, mas ainda a mastigar. Com medo que se engasgasse, e porque ele já resistia a mais colheradas, limpei-o e deitei-o para a sesta. Suspirei de alívio e descansei também um pouco com uns vídeos do YouTube.
A tarde foi passando, e quando ele acordou era já hora do lanche. Mandei-lhe 2 iogurtes pela goela adentro, misturados com um kiwi macerado. Só que o fruto, embora mole, ainda sabia um pouco ácido, pelo que tive de juntar um niquinho de açúcar, e ele lá acabou por comer. Saímos de novo, que a tarde ainda raiava sol e calor, e fomos até ao parque junto ao nosso lar. Aquilo é um pouco mal frequentado, mas achei que durante o dia não haveria grandes chatices. Até porque há por ali muitas velhotas com carteiras, que prontamente balançam se alguma coisa de errado acontecer. Assim, seguro que nada se passaria, lá fomos. Lá chegados, vi que não havia muitas estruturas para a idade dele. Castelos de corda e aço inox, campos de futebol com as redes das balizas feitas mais de buracos do que de cordas, bancos de mau aspecto, relvado irregular e uns escorregas metálicos. Optei por estes, porque era a única coisa que se aproveitava para o RA usufruir do passeio. Da primeira vez teve um pouco de receio, e não se queria largar. Mas eu lá o convenci, e ele apreciou. Depois foi o normal funcionalmento infantil face a um escorrega: desce-dá a volta-desce-dá a volta, ...
Mas tínhamos de levantar, que a catequese tem horas e os jovens não gostam de esperar. Dei-lhe o pequeno-almoço e fomos para a igreja. Depois de lavar-lhes o cérebro com mensagens de Paz e Amor, e após assistir à missa (onde o RA adormeceu profundamente a meio), deixei os meus jovens e fui comprar o almoço, que partilhei com o padrinho. Uma tarde bem passada era o que nos esperava... Depois do almoço, a tradicional sesta do miúdo, e nós a ver o Across the Universe, um filme inteiramente feito com base em músicas dos Beatles. Boa música, história porreira e fotografia atractiva! Uma óptima obra que passou ao lado do sucesso. É pena... Quando o RA acordou, fomos até ao Parque Biológico. Eu, o RA e o padrinho. Com as voltas e reviravoltas que demos para lá chegar, chegámos quase a uma hora do fecho, com um sol de fim de tarde e uma temperatura agradável. O ponto alto foi a abetarda de barriga branca que, por trás de um vidro de protecção, seguia o RA, e tentava bicar a sua mão pousada sobre o vidro. Ele achou piada e corria de um lado para o outro sempre com a abetarda no seu encalço. Foi giro... Um espectacular ponto final num fim de semana com o meu filho!
1 comentários:
A dada altura, numa loja de calçado, o rapaz identifica umas pantufas parecidas às que em casa ele costuma mascar. Vai de correr para elas, e só parou quando espetou com a testa no vidro.(...) Os meus parabéns à senhora da limpeza...
Lol!!
É verdade, para crescermos com os petizes e estreitar as nossas ligacoes e confianca faz muita falta passar aquele tempo sozinhos, privados. Este último fim de semana dei tao bem conta disso quando passei o fds em Salzburgo, com a Hanna...
Muito bom post!
Abraco proceis, e até breve :)
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