Terça-feira, 25 de Maio de 2010

Dias perfeitos por terras da crise. Um fim de semana banhado a sol e calor, mergulhado em bons tempos, passeios e piscina. No Sábado, fomos até Aveiro, assistir ao Automobilia, um evento dedicado à história do automóvel e ao veículo antigo. Como não podia deixar de ser, eu levei o meu Mini e o meu sogro foi no seu Honda 600. Devagarinho, para prevenir acidentes e porque não havia pressa, lá fomos depois de almoço.

Sem percalços lá chegámos e estacionamos junto a outros clássicos, uns mais idosos que outros. Espantou-me a presença de alguns carros que eu nunca pensei que alguém se esforçasse por preservar, como o Seat Marbella, mas os gostos são de cada um, e só cada um tem algo a ver com eles! Mas que este carrito quadrado destoava lá no meio... Enfim, mas estavam bastantes carros bonitos de ver, fotografar e sonhar ter. Porche's, Rolls Royce's, Ferrari's, Renault's, Peugeot's, Citröen's, ... Uns à venda, outros à mostra; uns a desfazerem-se, outros um mimo; uns bem preservados, outros pindéricos! Era uma mostra efectivamente para todos os que gostam de veículos motorizados.
Mas tinha também a secção dos velocípedes. Grandes, pequenos, médios, altos, baixos, estilosos, discretos e assim-assim, também estes se distinguiam pela diversidade, pelas cores e pela história e histórias encrustadas no metal e borracha da sua constituição. Algumas dava vontade de trazer para casa, para rodar em volta do quarteirão e de novo ser menino, como uma que ostentava o auspicioso título de CHOPPER, e tinha realmente o guiador ao estilo destas míticas motas americanas. Tinha lá ainda aquelas coisas de roda gigante, que eu não falo ideia de como sequer se sobe para elas, mas que ocupam muitas imagens do início do séc. XX, e que segundo a minha sogra, era utilizada pela avó da mãe do RA.

Mas voltando aos carros, e entrando nos preços praticados. Pediam-se fortunas por pedaços de metal enferrujado com forma de carros, mas com o corajoso título de "BEM CONSERVADO", e verdadeiras pechinchas por carros aparentemente em óptimas condições. É claro que este tipo de carros nunca está plenamente bem. E quem se mete neste mundo como proprietário, tem de o fazer consciente que compra uma máquina boa (se durou tantos anos, tem de ter algo de positivo), mas que ainda assim não perdeu nenhum dos anos que passaram por si. Portanto, ninguém se meta nisto se não estiver ciente do custo de tal empresa. Vale a pena conduzir uma beleza destas? Sim, mas tem o seu preço...
No Domingo, dia de sol, foi-se à beira-praia, porque era a isso que convidava. As notícias relacionadas com mar e praia têm assustado um pouco, mas o ar de praia também faz bem, pelo que nos fizemos ao almoço em casa da minha madrinha (belo sargo assado! Obrigado, madrinha!) e por lá fizemos o nosso fim de fim de semana. Ao chegar a casa, mais nada restava a fazer do que preparar o despertador para ligeiramente mais cedo, para conseguir realizar as tarefas de início de semana, e deitar docemente a cabeça na almofada, com um sorriso de satisfação desenhado no rosto e os olhos já cerrados, deixando a mente viajar até à terra dos sonhos...
Ontem à noite, depois da consulta em que se confirmou o bom estado geral do RA, mas um certo abaixamento dos índices de referência (baixou ligeiramente do percentil 25 em todos), foi tempo de festa em família, pois a minha tia Ivone festejou meio século. E como só se atinge a marca uma vez na vida, a ocasião foi celebrada solenemente, como quem diz bem comida e bem regada. Tão bem regada, que a minha perna saiu encharcada e peganhenta de Asti Gancia, com responsabilidades do RA, que não soube comportar-se. Mas ele tem uma certa desculpa. As luzes eram amareladas, e à noite todos os gatos são pardos, como diz o povo. Um copo de água e outro de vinho verde branco podem ser indistinguíveis ao olho festivo, e foram-no mesmo para a minha mãe.
Vendo que o neto tinha sede, a avozinha pega no copo e vá de matar-lha afogando-a. Com a pressa, contudo, esqueceu-se de certificar-se da cor do líquido e em vez de água, deu-lhe sumo de uva fermentado. A mãe, atenta, chamou logo à atenção, mas o mal estava feito. O RA tinha provado vinho! E pela cara dele, tinha gostado! Ora, depois do leite entornado, só resta seguir em frente, não vale a pena chorar. E entornar foi o que ele fez, e eu não pude chorar. Com a perna apetitsa, mas altamente incómoda de usar, mais os calções encharcados do mesmo "champanhe", lá aguentei o resto da noite. Não foi difícil, pois a festa ia animada e bem disposta. E assim chegou ao fim mais um dia de existência de cada um de nós, uns a celebrar o aproximar do fim, outros a viver os anos áureos da descoberta. É assim o mundo, é assim o tempo, é assim a vida...


Post Scriptum: a foto não foi intencional, mas apenas pura coincidência. Fica gravado na história, como raramente acontece, e ainda bem que assim é. Mas de forma alguma pode isto ser usado como prova de maus tratos ou abuso relativamente ao meu filho. Nunca lhe daríamos bebidas alcoólicas!

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