Terça-feira, 1 de Junho de 2010

Ontem à noite o RA teve um pormenor inesperado, mas daqueles que provoca a qualquer pai um sentimento de orgulho pelo desenvolvimento silencioso, mas sólido, do seu rebento.

Eram já muitas da noite e o rapaz teimava em não pregar olho. No colo da mãe, visivelmente confortável, deixava as horas passar, ouvindo o pai, a mãe e o padrinho falar sobre tudo e nada, num serão agradável mas quente de fim de Primavera. A certa altura, a mãe perguntou ao RA se ele não tinha vontade de ir dormir. Como se uma campainha soasse em si, fez menção de descer da poltrona e, com o pezito descalço no chão, encaminhou-se para o quarto, esperando que o seguissem para o auxiliar na escalada da cama. Dando conta que entrou só no quarto, voltou atrás e olhou a mãe, como perguntando docemente "Então, não vens?", e de novo se encaminhou ao quarto, onde mais uma vez entrou só. Um compasso de espera mostrou que ele aguardava ter sido percebido, até que mais uma vez apareceu na sala, mas já não tão docemente expressou a sua vontade, vocalizando uma qualquer incongruência que, para si, se traduziria mais ou menos por "Perguntas e não vens? Estou à espera. Anda!", e de novo regressou ao quarto.

Aí, a mãe já se levantou e dirigiu-se ao nosso ninho, onde o deitou e ele adormeceu rapidamente. Mas a atitude dele ficou-me gravada. Nunca o tinha visto agir tão metodicamente, ser tão racional na sua acção. Adorei a experiência! Quero mais!

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